DESEMPENHO DE JOGADOR DEPENDE DE BOA VISÃO
Visão dinâmica é segredo para boas jogadas; exercícios oftalmológicos podem ajudar atletas a melhorar desempenho
O futebol é um dos esportes que mais exige o uso da visão dinâmica e do campo visual. Ao lado da visão central, onde focamos nossa atenção, temos um campo de visão que não vê detalhes, mas identifica grandes objetos e movimentos. E nossa chamada visão periférica. O bom jogador não deve olhar para a bola, mas para frente, avaliando sua posição em campo e a movimentação dos adversários usando sua visão periférica.
Jogadores como Romário são considerados oportunistas por estarem em posição privilegiadas para receber uma bola e marcar. Na realidade, apenas fazem suas próprias avaliações e se antecipam, reprocessando constantemente as informações recebidas. O mesmo vale para goleiros, que devem ter uma perfeita sincronia de movimentos e coordenação dos olhos com os pés e as mãos, e devem saber usar bem seu campo de visão periférico.
Somente há pouco tempo se consegue avaliar as habilidades visuais cientificamente por meio de exames de visão funcional. Especialista neste assunto, a médica oftalmologista Márcia Guimarães, diretora do Hospital de Olhos de Minas Gerais - Clínica Dr. Ricardo Guimarães (HOLHOS), explica que até recentemente se avaliava somente um dos aspectos da visão com objetos de alto contraste – preto no branco –, imóveis. Contudo, tal avaliação não considera, por exemplo, a capacidade de visão em condições desfavoráveis de iluminação ou a habilidade da pessoa de detectar movimentos.
A visão é o processo cerebral mais elaborado, sendo que mais de 70% das células e funções cerebrais estão direta ou indiretamente relacionadas a ela. A velocidade de processamento da informação visual transformada em movimento pelas mãos, somada à coordenação destes reflexos, é determinante na avaliação do atleta. Outro aspecto importante é a capacidade de processar informações para se posicionar em jogo.
Para identificar a qualidade visual do atleta, o HOLHOS realiza, com exclusividade, o exame de visão funcional, capaz de medir como os objetos e ações são assimilados. Ele avalia a capacidade visual em todas as condições de iluminação e simula a visão de cada pessoa nas mais diversas situações. Dessa forma, podem ser apontadas alternativas para que as habilidades visuais do atleta sejam treinadas e aprimoradas.
Dentre as avaliações realizadas, estão a visão dinâmica, a capacidade de ver em condições de baixa iluminação ou iluminação adversa (sensibilidade ao contraste) e a capacidade de colocar o foco da visão no ponto específico do movimento imediatamente, além de outras habilidades tais como campo visual periférico e coordenação olho-mão.
Cada esporte tem uma demanda visual específica e, para vencer, é preciso maximizar a utilização de todas essas habilidades, juntamente com a técnica e o preparo físico. Quando jogam à noite, por exemplo, em campo iluminado, os jogadores aprendem a olhar para uma bola alta sem se deixar ofuscar pelos holofotes. Têm também de levar em consideração as mudanças de brilho e contraste que a iluminação artificial produz.
Para a oftalmologista Márcia Guimarães, o ideal seria que o exame de visão funcional fosse aplicado já nas escolinhas de futebol para uma detecção rápida de possíveis problemas e, se necessário, implementar exercícios que aprimorem as habilidades do jogador. "Num exame de aproximadamente 40 minutos, conseguimos saber exatamente se o jogador possui algum desvio na visão e, através disso, podemos indicar os melhores procedimentos para cada caso ", ressalta.