VERÃO EXIGE CUIDADOS ESPECIAIS COM O OLHOS

Com a chegada da estação quente e das férias, a população fica em contato com excessiva claridade, sol, cloro, ar condicionado e areia - agentes irritantes dos olhos e que podem causar sérios problemas visuais

 

Com os termômetros marcando temperaturas próximas dos 30º, a maioria da população procura pelo trio sol, água e areia. Mas é preciso cuidado quando o tema é a relação dos olhos com este tripé. No verão, a incidência de conjuntivites, alergias e irritações oculares causadas pelo cloro, protetores solares e bronzeadores chega a ser dez vezes maior do que nos demais meses do ano.

Ricardo Guimarães, oftalmologista e diretor do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães, esclarece que a excessiva claridade pode provocar reações alérgicas e queimaduras graves. Um exemplo é a Ceratite Actínica, na qual a córnea fica machucada, provocando nos olhos a sensação de desconforto, como se houvesse um cisco, porém sem secreção, além de provocar vermelhidão. O problema, conta Dr. Guimarães, é causado pela exposição dos olhos aos raios ultravioletas. Outro ponto ressaltado pelo oftalmologista é o cuidado com a superexposição à luz e o contato dos olhos com qualquer substância química, que podem gerar incomodo visual, reações alérgicas e até queimaduras crônicas.

Para evitar estragos causados pelos raios ultravioletas (UV), a melhor opção, ressalta Guimarães, é a escolha de um par de óculos escuros com lentes adequadas. Ao contrário do que afirma o censo comum, as lentes de cor verde nem sempre são as ideais. “A cor ideal depende de um exame clínico. Cada pessoa possui maior ou menor sensibilidade a determinada cor. Não existe uma cor universalmente recomendável”, ensina ele.

Além dos óculos escuros de procedência, que bloqueiem pelo menos 99% da radiação ultravioleta, o kit básico de cuidados com os olhos para o verão deve conter sabonete neutro, protetor solar, creme hidratante para a noite e colírio de lágrima artificial.

Lentes de contato
Para quem usa lentes de contato, os cuidados devem ser redobrados. Além de não abrir os olhos debaixo d’água – recomendação que vale para todos –, os usuários de lentes devem utilizar também óculos de sol para evitar a entrada de ciscos e areia nos olhos. Segundo o oftalmologista, os raios UV ainda podem causar muitos danos à visão. “Da mesma forma que existem protetores solares para a pele, os óculos de sol possuem filtros em diferentes porcentagens. Quanto mais alto este índice, melhor. Isso não quer dizer, entretanto, que os óculos mais escuros são os que oferecem melhor proteção. O filtro UV pode ser colocado até mesmo em lentes transparentes. O importante é saber a procedência dos óculos para garantir que os olhos estarão protegidos. Por isso não aconselho a compra desses produtos em camelôs”, alerta.

Outro cuidado sugerido pelo oftalmologista diz respeito ao manuseio das lentes. “Não se deve lavá-las com água, apenas com produtos adequados. Além disso, não deixar que as lentes entrem em contato com substâncias gordurosas”, ensina Dr. Guimarães.

No caso de qualquer contaminação, o aconselhável é lavar bem os olhos com água filtrada ou soro fisiológico. Além disso, é importante a consulta ao oftalmologista para a indicação de colírios ou tratamentos adequados para impedir a progressão do problema.

 “Verão é época da disseminação de conjuntivites"
A conjuntivite é outro problema que acomete bastante a população no verão. Caracterizada pela inflamação da conjuntiva - a mucosa que recobre os olhos - não é uma doença grave, mas é incômoda e contagiosa, devendo ser tratada imediatamente. A conjuntivite pode ser causada por vírus ou bactérias, levando a quadros diferentes, que requerem tratamentos também distintos. Os sintomas são: presença de olhos vermelhos e lacrimejantes, dor persistente, sensação de que há areia nos olhos, dor ao olhar pra luz e pálpebras inchadas. No caso das bacterianas, há uma grande produção de secreção amarelada e, pela manhã, a pessoa acorda com as pálpebras “grudadas”. Já nas conjuntivites viróticas, a produção de secreção é pequena e de cor clara.

A transmissão ocorre de pessoa a pessoa, por meio de objetos contaminados (toalhas, travesseiros, lenços) e dissemina-se rapidamente em ambientes como escolas ou creches. Outra forma de contágio é o banho em piscinas ou praias, através de contato direto. O tratamento da conjuntivite bacteriana é feito com uso de colírios de antibiótico. No caso das viróticas, o tratamento consiste em lavagem e manutenção de cuidados de higiene.

“Para prevenir essa doença, o ideal é que sejam mantidos hábitos de higiene adequados, já que o verão é época da disseminação de conjuntivites”, enfatiza Guimarães. Ele lista os seguintes cuidados: evite coçar os olhos; use lenços descartáveis, quando necessário; use travesseiros individuais; evite usar objetos de pessoas com a doença; evite piscinas com água não tratada e o uso de lentes de contato nessas situações.

 

janeiro de 2008