BRINQUEDOS ESTIMULAM DESENVOLVIMENTO VISUAL INFANTIL

Na hora de comprar os presentes de Natal, não se deve considerar apenas o desejo das crianças. Os pais devem estar atentos aos brinquedos que, além de divertir, possam estimular o desenvolvimento dos filhos. Segundo a oftalmologista Márcia Guimarães, diretora do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães, as cores e os formatos dos produtos são fundamentais no desenvolvimento das habilidades visuais que farão toda a diferença ao longo da vida.

“Para aprender a escolher o presente ideal, é preciso avaliar, em primeiro lugar, os gostos, interesses, facilidades e dificuldades da criança. Não adianta levar um brinquedo caro e chamativo que não agrade”, observa a médica. Em muitos casos, os pais acabam errando na escolha por levar algo que satisfaça a sua própria vontade, mas que pode ser extremamente complicado e desinteressante para quem ganhará o presente.

Márcia Guimarães afirma que o importante é oferecer diversos estímulos à criança, já que 80% de tudo o que se aprende até os 12 anos é feito através do Sistema Visual. “Contudo, é preciso ter um equilíbrio entre esses estímulos para não expor o cérebro a uma hiperativadade em determinadas freqüências, enquanto outras podem ficar desestimuladas”, explica.

Atividades físicas, pintura, desenho, construção de objetos e montagem de quebra-cabeças são algumas brincadeiras que devem ser estimuladas para ativar o cérebro. Conforme a médica Márcia, o bebê não nasce, por exemplo, com visão tridimensional, mas a desenvolve através do movimento dos olhos, da forma como vê e pega os objetos e da movimentação espacial. As ações que estimulem essas áreas cerebrais que avaliam a distância e a profundidade garantem que a criança, no futuro, tenha também maior segurança e facilidade com suas habilidades visuais, focalizando objetos, manipulando-os, comparando-os, enfim, colocando todo o seu treinamento na manutenção da atenção visual por tempo prolongado - o que lhe assegurará um diferencial competitivo no mercado.

TERMÔMETRO “Além de estimular o desenvol-vimento da criança, os brinquedos são sentinelas que revelam se existe algo ocorrendo na visão”, ressaltou Márcia Guimarães. A médica conta que a criança demonstra de várias maneiras se possui alguma deficiência visual pela forma como lida com os brinquedos. O jeito com que abotoa a roupa da boneca, o movimento que faz para encaixar peças ou mesmo pegar objetos são termômetros para identificar possíveis problemas visuais.

O movimento dos olhos ao acompanhar os brinquedos, por exemplo, é um sinal de como está a visão dos bebês. A posição dos olhos deve ser simétrica em todas as direções. Caso contrário, a criança pode ter estrabismo. Outros detalhes que devem ser observados nos filhos são: se os pequenos levam o brinquedo muito próximo aos olhos; se estão fazendo uma conexão adequada da parte motora com a visual; se demoram a chutar uma bola; se tropeçam com freqüência; se estendem apenas uma mão para apanhar objetos; se separa e combina cores corretamente; se não gosta de brincar de encaixar peças ou tem dificuldades em escolher a peça adequada e colocá-la na posição correta.

“Até mesmo o uso de lápis de cor pode ser um indicativo de como anda a visão. Note se a criança usa todas as cores, quais ela prefere (se claras ou escuras) e veja se o lápis sai muito do local do desenho. Com essa simples observação, é possível visualizar se ela tem um bom controle de amplitude e se possui uma visão de cores apurada”, exemplificou. Segundo a médica, crianças com problemas de visão piscam e fazem caretas mais frequentemente, fecham ou apertam um olho para focar melhor, confundem palavras semelhantes, escrevem de modo superposto ou fora da linha, compreendem cada vez menos à medida em que a leitura progride, perdem interesse rápido no que estão lendo, queixam-se de dores de cabeça, ficam sonhando acordados ao invés de prestar atenção à lousa e não conseguem concluir o jogo dos sete erros entre dois desenhos semelhantes.

Márcia Guimarães destaca que o período de férias é ideal para se observar as brincadeiras dos filhos e levá-los para fazer exames de visão até que completem seis anos de idade. Assim, é possível detectar e impedir a progressão de distúrbios ou doenças da visão, como também evitar problemas futuros de aprendizagem.

DICAS PARA AJUDAR NA ESCOLHA DO PRESENTE

Até um ano: Essa fase requer brinquedos para aprender noções de tamanho, forma, som, textura e como funcionam as coisas. A partir do terceiro mês, os chocalhos, brinquedos musicais e mordedores são os mais apropriados. Com seis meses, os brinquedos flutuantes entram no seu campo de interesse e o banho fica mais divertido com patinhos de borracha que bóiam na água. Quando um bebê já consegue sentar, também está pronto para brincar com cubos que tenham guizos embutidos ou ilustrações, com copos ou caixas que se encaixam uns dentro dos outros e com brinquedos ou argolas empilháveis. A partir do oitavo mês, brinquedos para martelar, empilhar e desmontar podem distrair a criança durante certo tempo.

1 a 2 anos: Brinquedos vistosos e leves, de várias texturas, estimulam os sentidos da visão, da audição e do tato. Um móbile no berço diverte até que se possa pegar objetos. Esse é o momento de dar bonecas de tecido e bichos de pelúcia feitos de materiais atóxicos, que são gostosos de tocar e abraçar, mas não servem para chupar ou morder. As costuras devem ser resistentes e os olhos e narizes devem estar firmemente costurados. Nesta idade, os bebês começam a apreciar livros com ilustrações de objetos familiares. Quando a criança começa a engatinhar ou a caminhar, os brinquedos mais estimulantes e divertidos são os de empurrar ou puxar como um pequeno vagão ou um carrinho de boneca, bem como brinquedos de montar e desmontar. Prefira brinquedos que tenham peças grandes que não possam ser engolidas, sejam leves para manusear, não tenham pontas ou bordas afiadas, sejam de cores vivas e não sejam tóxicos.

2 a 3 anos: É a vez das bolas. Para ajudar a garotada a se comunicar melhor e ampliar seu vocabulário, CDs com música que estimulam o canto e a dança também são ótimas opções. Para continuar incentivando os pequenos a desenvolver sua habilidade motora, use muitos blocos e ajude-o a empilhá-los, encher os carrinhos com os blocos, equilibrar um em cima do outro. Nessa fase, a criança já deve começar a participar da arrumação das suas coisas. Depois da bagunça, peça ajuda para organizar e recolher o brinquedo, como uma continuação da brincadeira, e não como uma obrigação, uma coisa chata.
3 a 4 anos: Com três aninhos a criança se diverte muito em cima de um triciclo ou com um grande carrinho de puxar. Isso é bom para desenvolver várias habilidades como o senso de direção, de espaço, controle e força. Brinquedos ao ar livre também são uma boa idéia, como bolas, infláveis, espelhos d'água ou caixas de areia com pás e cubos. Nessa etapa, é importante estimular algumas habilidades psicomotoras, incluindo a coordenação entre o olho e a mão e o desenvolvimento da habilidade dos dedos e das mãos, através de brinquedos de montar e desmontar mais complicados, blocos de tamanhos e formas diferentes, assim como jogos e quebra-cabeças simples. Livros cheios de ilustrações e histórias divertidas vão ajudar a criança a descobrir o nome das coisas e saciar suas curiosidades.

4 a 6 anos: É a fase do mundo imaginário, quando sua criatividade está a todo vapor. Portanto, qualquer brinquedo ou equipamento que ajude o pequeno a entrar nesse mundo de fantasia é bem-vindo. As crianças nessa faixa etária se interessam muito por coisas que imitam o mundo dos adultos como dinheiro de brinquedo, caixa registradora, telefone, cidadezinhas, circos, fazendas, postos de gasolina e casas de boneca com móveis. Os meios de transporte também viram atração: caminhões, automóveis, aviões, trens, barcos e tratores. É com essa idade que começam a aparecer os medos infantis. Por isso, é interessante que a criança tenha uma boneca ou um ursinho de pelúcia, que ajude a dar segurança e a superar momentos difíceis.

Acima de 6 anos: Nessa etapa, as possibilidades de brinquedos são infinitas: jogos de tabuleiro, bolinhas de gude, pipas, carros de corrida, trens elétricos, argila para modelar, pincel, brinquedos de mágica, artigos esportivos e bicicletas maiores com rodinha de apoio, patins, skate e tudo que possibilite se movimentar com confiança. Como a criança manifesta grande interesse pelas atividades escolares, é bom fazer da brincadeira uma continuação da escola, com jogos que exigem o uso da imaginação ou o cálculo mental, tais como os eletrônicos, jogos de tabuleiro, jogos de palavras e de memória criados especialmente para essa faixa etária. É por volta dos seis anos que eles descobrem também os videogames. Escolhendo os jogos certos e impondo limites, essa pode ser uma ótima forma de aprender. Muitos jogos oferecem níveis progressivos de dificuldade bem como oportunidades para desenvolver a habilidade e a coordenação e uma compreensão do significado da estratégia no relacionamento humano, em geral através da competição.


COMO OS PAIS PODEM IDENTIFICAR POSSÍVEIS PROBLEMAS DE VISÃO NOS FILHOS

Observe se a criança...

  • Não liga pontos sequencialmente de modo claro e rápido;
  • Fica com a cabeça muito próxima ao livro de histórias;
  • Só consegue ler se usar o dedo para acompanhar;
  • Quando lê, tende a tombar a cabeça para um lado;
  • Não troca sempre de lápis de cor;
  • Tropeça com freqüência;
  • Demora a chutar uma bola;
  • Não gosta de brincar de encaixar peças.

SCORES:

  • Uma em cada 4 crianças tem um problema de visão que pode interferir com seu aprendizado escolar
  • As tabelas com a etra “E” usadas pelas professoras em salas de aula detectam apenas 20% a 30% dos problemas visuais das crianças

Fontes: Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães e Abrinq

dezembro de 2006