EXAME EM CRIANÇAS PODE PREVENIR "OLHO PREGUIÇOSO"
Férias é ótimo período para check-up na visão dos filhos: A cada 20 alunos do ensino fundamental, três têm algum problema nos olhos
Mais que um período para viajar e curtir, as férias também são uma ótima oportunidade para um check-up na visão das crianças. Até os seis anos de idade é possível detectar e impedir a progressão de possíveis distúrbios ou doenças de visão, além de prevenir dificuldades de aprendizagem. “Todo ano devem ser feitos testes para avaliar a saúde visual infantil para detectar problemas como erros de refração tipo miopia, hipermetropia e astigmatismo”, afirma o oftalmologista Ricardo Guimarães, diretor do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães.
Os estrabismos de pequeno ângulo assim como as diferenças de grau podem passar despercebidos pelos pais e médico não especialista. Segundo Guimarães, a falta de correção nesse período pode levar até mesmo à ampliopia (olho preguiçoso), que corresponde a uma baixa visão permanente. Caso não tratada até os seis anos de idade, a ambliopia é considerada irreversível e o problema não pode ser corrigido com o uso de óculos ou cirurgias.
O olho preguiçoso representa a principal causa de baixa visão nas crianças, atingindo quatro em cada cem pequenos. Contudo, a causa desse déficit não está especificamente no olho, mas na região cerebral que corresponde à visão e que não foi devidamente estimulada no momento certo. Ou seja, o olho não aprende a ver. “Problemas de refração ou estrabismo devem ser detectados até o sexto ano de vida, quando os circuitos visuais ainda estão se formando. Quando não tratados antes dos sete ou oito anos de idade, deixam um déficit visual que afetará a vida adulta, impedindo de exercer profissões ou atividades que dependam da visão binocular, por exemplo”, observa Guimarães.
Também na adolescência é essencial a revisão anual para conferência de possíveis mudanças no grau dos óculos e a realização de exames mais específicos como a topografia
computadorizada que, além de avaliar todo o relevo da córnea, detecta doenças como o ceratocone, cuja alteração da curvatura causa grande prejuízo à visão. A topografia auxilia ainda o oftalmologista na perfeita adaptação das lentes de contato para melhorar a vida social dos pacientes por questões estéticas e ainda permite a prática esportiva normal.
ENTENDA A AMBLIOPIA:
O QUE É - Situação em que a visão da criança não se desenvolve, tornando-se fraca num olho ou mesmo nos dois olhos (olho preguiçoso).
COMO FUNCIONA - Cada olho envia uma imagem para o cérebro que precisa juntá-las formando uma só. Quando os dois olhos enviam uma imagem igual para o mesmo objeto obtém-se facilmente a fusão das imagens. Porém, quando cada olho está fixando num ponto, o cérebro recebe duas imagens muito diferentes entre si e não consegue juntá-las. Como defesa, o olho elimina automaticamente a imagem que vem do olho desviado. A supressão deste olho faz com que ele não se desenvolva bem e fique mais fraco que o outro.
CAUSAS
• Refracional: um ou ambos os olhos têm a imagem borrada por um erro refracional (grau), o que faz com que os olhos não desenvolvam sua capacidade de enxergar;
• Ambliopia por privação: qualquer obstáculo à formação de imagem nítida na retina como a catarata congênita, ptose palpebral, hemangiomas entre outras;
• Estrábica: a criança “usa” apenas um dos olhos (o que está alinhado) e o olho desviado não se desenvolve, pois o cérebro precisa suprimir a imagem deste para que a criança não apresente visão dupla.
TRATAMENTO - Em primeiro lugar deve-se corrigir a causa, propiciando imagem retiniana clara, com o uso de óculos, cirurgia de catarata, entre outras. A seguir, utiliza-se um oclusor (tampão) sobre o olho bom para forçar o olho preguiçoso a trabalhar.
SCORE – 2 em cada 10 crianças necessitam de auxílio para desenvolver uma visão normal