Todos os dias milhares de pessoas são impedidas de ir para o trabalho ou para a escola por crises de enxaqueca. Essas crises, muitas vezes, duram dias, deixam sequela mesmo depois que terminam, são a maior causa de absenteísmo do trabalho em todo o mundo e afetam homens, mulheres de diferentes idades.

Existem mais de 100 tipos de quadros clínicos diferentes de enxaqueca. É complexo, mas importante compreender e identificar as causas da enxaqueca para saber como melhor tratá-la. Frequentemente, encontramos uma estreita relação com o sistema visual. Só passamos a compreender melhor a relação da enxaqueca com a visão quando em 2002 foi anunciada a descoberta de uma nova célula na retina, provavelmente envolvida nos mecanismos gatilhos da enxaqueca.

O que pode causar a enxaqueca?

Os chamados “gatilhos” – que deflagram uma crise de enxaqueca podem ser causados por fatores externos ou biológicos. Dr. Ricardo Guimarães, médico oftalmologista e presidente do HOlhos, explica quais são os gatilhos que podem resultar na enxaqueca.

“Entre os principais gatilhos que podem estimular essas regiões do cérebro, estão as flutuações hormonais, estímulos ambientais como o clima ou luzes brilhantes, certos cheiros, álcool, alguns alimentos, falta de sono e estresse” explica.

Dr. Ricardo explica ainda que nem todas as pessoas tem um gatilho claro para estimular os ataques de enxaqueca, mas sabe-se hoje que a visão tem um papel importante para possíveis crises.

A maioria das crises são precedidas da percepção de uma aura luminosa. E um dos principais sintomas da enxaqueca é a sensibilidade à luz (fotofobia). A luz está presente assim na manifestação inicial e pela hipersensibilidade durante a crise. É natural portanto, que o passo inicial determinante para o tratamento da enxaqueca, comece pela abordagem dessa sensibilidade, que está associada ao sistema visual.  

Fotofobia e sistema visual

 

A fotofobia é extremamente comum em pessoas com enxaqueca – entre 85 e 90% das pessoas com esse tipo de dor de cabeça, manifestem uma hipersensibilidade à luz

Pessoas normais se adaptam ao dia e a noite, a quantidade de luz e conseguem ver bem tanto em baixa quanto alta iluminação. Se não conseguem se adaptar, a queixa é de hipersensibilidade, em outras palavras, fotofobia.

Em 2002 foi anunciado a descoberta de uma nova célula na retina – IPRGC (Intrinsically Photosensitive Retinal Ganglion Cell) – o fotorreceptor intrínseco que é a responsável, entre outras coisas, pelo ajuste dos nossos olhos à luz ambiente. Um desajuste ou mal funcionamento desta célula leva a um desajuste na nossa capacidade de nos adaptarmos ao nível de luz ambiente.  Se algo não vai bem com o seu funcionamento, os quadros de fotofobia e náuseas podem se tornar frequentes, resultando em crises de enxaqueca.

Descobriu-se também que essa célula é sensível a certos comprimentos específicos de onda presentes em ambiente de luz artificial, especialmente de fontes de luz artificial, como os de LED, hoje existentes em todos os lugares.

Essa descoberta tornou possível entender mais sobre a sensibilidade dessas pessoas à luz (quando estão em crises de enxaqueca).

Prof. Dr. Ricardo Guimarães, explica o funcionamento do fotorreceptor intrínseco (PRGC).

O tratamento para a fotofobia

É a partir da retina que as células da retina fotorreceptoras também chamados fotorreceptores intrínsecos transformam a luz em sinais elétricos. Supõe-se que uma transcodificarão malfeita ou corrompida seja responsável pela fotofobia. Como hoje sabemos quais os comprimentos de onda mais comuns neste processo, a fotofobia passou a ser tratada por meio do uso de filtros especiais, que bloqueiam os comprimentos de luz identificados como hipersensibilizastes. Cada paciente – individualmente – recebe uma alternativa para o tratamento.

Como as lentes espectrais filtram a entrada de luz para tratar a fotofobia

A luz que enxergamos, mesmo que pareça branca ou amarela, tem todas as tonalidades agrupadas no seu espectro. Cada um desses tons possui um comprimento de onda diferente, segundo uma escala de medição de luz.

Os filtros espectrais em tonalidades e combinações diferentes, oferecem solução personalizada, e são capazes de filtrar os comprimentos de onda que causam a fotofobia – FOTO: Divulgação Curso DARV

 

Além da fotofobia, outros problemas visuais podem desencadear crises de enxaqueca ou dores de cabeça recorrentes. Distúrbios do processamento visual demandam uma investigação mais aprofundada, além dos exames oftalmológicos de rotina.

O HOlhos possui um departamento exclusivo de Neurovisão, coordenado pela Dra. Márcia Guimarães, que oferece tratamento para fotofobia e outros distúrbios do processamento visual.

Se você desconfia que a sua enxaqueca está relacionada a algum distúrbio do processamento visual, entre em contato com o Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães.

Saiba mais sobre Neurovisão (Neurociências da Visão) neste artigo que explica como problemas de visão podem afetar a estabilidade postural.

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